Cortes de orçamento
Redução orçamentária repassada à UFPel pode ter reflexos na Zona Sul
Universidade fechará o ano com um déficit de R$ 7 milhões, podendo gerar demissões e suspensão de atendimentos à comunidade
Jô Folha -
Desde 2019, o orçamento da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) tem sofrido reduções que impactam diretamente no setor acadêmico e na oferta de serviços à comunidade. A diminuição nos valores para despesas foi de 20,59% em três anos. Já no que diz respeito aos recursos de investimento, a quantia, que já chegou a mais de R$ 10 milhões, é hoje de R$ 2,4 milhões. Por conta disso, a instituição teme não conseguir pagar as empresas terceirizadas, o que pode acarretar em demissões de trabalhadores e na suspensão de atendimentos.
De acordo com o pró-reitor de planejamento e desenvolvimento da UFPel, Paulo Ferreira, mesmo com ações para redução despesas, não foi o suficiente para pagar contas como aluguel de prédios, água, luz, internet entre outras. Ele ainda cita a assistência estudantil - como restaurante universitário, auxílio moradia e a Casa do Estudante - para a qual são destinados R$ 14 milhões do orçamento de custeio. Outra demanda de recursos necessários são as empresas terceirizadas que prestam serviços como portaria, motorista, limpeza e vigilância. Para manter esses contratos, é necessário o pagamento de R$ 34 milhões por ano.
Em 2019 a UFPel tinha orçamento para despesas de mais de R$ 74 milhões, valor que permitiu à universidade fechar o período com as contas em dia. A situação começou a declinar nos anos seguintes. Em 2021 o repasse caiu para pouco mais de R$ 58 milhões - uma redução de 20,59% em três anos que deixará a instituição com um déficit de R$ 7 milhões este ano.
Reflexos na Zona Sul
Sem recursos para as contas de novembro e dezembro, a gestão da universidade teme não conseguir honrar com o pagamento às empresas terceirizadas, já que em 2021 não há mais a previsão de repasse de verbas por parte do governo federal. A redução coloca em risco o emprego de 600 trabalhadores que atuam em diversas áreas da universidade, ligadas ao ensino e à pesquisa, como os atendimentos ofertados de forma gratuita através do Centro de Especialidades Odontológicas Jequitibá, que recebe pacientes da Zona Sul. "Sem limpeza, não tem atendimento", diz Ferreira. Outro serviço que pode ser suspenso é do Hospital de Clínicas Veterinárias, que conta com 15 funcionários terceirizados entre tratadores de animais, recepcionistas, profissionais da limpeza e motorista.
O diretor do hospital, Martielo Gehrcke, lembra que, além de ser referência no atendimento de animais de grande porte, o local é o único na região que tem estrutura para prestar esse tipo de serviço e que, através de convênios com as prefeituras de Pelotas e Capão do Leão e com a Ecosul, realiza o atendimento de animais recolhidos em situação de rua ou feridos que ficam no local até que sejam devolvidos aos donos, ou direcionados para doação ou leilão. Também são atendidos cães e gatos após recolhimento. Atualmente estão no local 15 cachorros e 80 cavalos.
Mesmo a unidade cobrando pelos atendimentos, a universidade mantém as despesas terceirizadas, que em 2019 já sofreram redução de 30% causada pela diminuição no repasse de verbas por parte do governo federal. Desde então, os serviços foram reduzidos. "Os tratadores, além de alimentarem os animais, fazem a limpeza. A partir do momento que não tivermos essas pessoas, não temos como atender", explica Gehrcke. Além disso, os estudantes da universidade ficam impedidos de colocar em prática os conhecimentos adquiridos em sala de aula.
Medo do desemprego
Quem foi afetado pelo corte de funcionários em 2019 foi o tratador Uilson Sedrez, 64 anos. Em agosto do ano passado, no entanto, ele teve uma nova oportunidade de trabalhar no hospital. Sedrez relata o medo de perder novamente o emprego caso os repasses à universidade não tenham aumento. "A gente sai daqui todos os dias e não sabe se volta, pois podemos chegar e receber a notícia sobre corte de pessoal, como já aconteceu comigo. Já senti isso na pele", comentou.
O funcionário ainda relata que, devido à diminuição no número de colaboradores, a oferta de serviços tem sido prejudicada e os trabalhadores acabam não dando conta de toda a demanda que há no local. "A procura para o tratamento de animais é muito grande, só que as verbas estão diminuindo e aí fica difícil", finaliza o tratador.
Repasse anual do Governo Federal à UFPel
Orçamento de custeio
2019: 74.232.121,00
2020: 72.003.049,00
2021: 58.946.483,00
Orçamento de investimento
2017: 10.801.914,00
2018: 5.134.144,00
2019: 3.415.564,00
2020: 3.415.561,00
2021: 2.400.826,00
(Fonte: UFPel)
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